Che Guevara e a Revolução Cubana As revoluções socialistas · Instituto Lúcia Como um pequeno grupo de guerrilheiros derrubou uma ditadura a 150 quilômetros dos Estados Unidos, e quem foi o médico argentino que se tornou símbolo. ## Cuba antes de 1959 No começo dos anos 1950, Cuba era formalmente independente, mas a sua economia girava em torno do açúcar vendido aos Estados Unidos, e empresas norte-americanas controlavam grande parte das terras, das usinas e dos serviços. Em 1952, o general Fulgencio Batista deu um golpe de Estado e instalou uma ditadura. Em 26 de julho de 1953, um grupo de jovens liderado pelo advogado **Fidel Castro** atacou o quartel Moncada, em Santiago de Cuba. O ataque fracassou; muitos foram mortos e Fidel foi preso. Sua defesa no tribunal ficou conhecida pela frase final: "A história me absolverá". Anistiado em 1955, exilou-se no México. ## O médico argentino **Ernesto Guevara de la Serna** nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, na Argentina. Asmático desde criança, formou-se em medicina. Ainda estudante, percorreu a América do Sul de motocicleta e viu de perto a pobreza de mineiros, camponeses e doentes de hanseníase. Em 1954 estava na Guatemala quando o governo eleito de Jacobo Árbenz, que fazia uma reforma agrária, foi derrubado por um golpe apoiado pelos Estados Unidos. No México, em 1955, conheceu Fidel Castro e entrou para o grupo como médico. "Che" é uma interjeição típica dos argentinos; os cubanos fizeram dela o seu apelido. ## Do Granma à vitória Em dezembro de 1956, 82 homens desembarcaram em Cuba vindos do México no pequeno iate *Granma*. Foram atacados logo depois; os poucos sobreviventes se refugiaram na **Sierra Maestra**. Ali, com apoio dos camponeses e de uma rede clandestina nas cidades, a guerrilha cresceu. Guevara tornou-se comandante. No fim de 1958, a coluna de Che tomou a cidade de Santa Clara. Em **1º de janeiro de 1959**, Batista fugiu do país. ## As transformações Nos primeiros anos, o governo revolucionário: - fez a **reforma agrária**, limitando o tamanho das propriedades; - nacionalizou usinas, refinarias, bancos e empresas estrangeiras; - realizou, em 1961, a **campanha de alfabetização**, com cerca de 250 mil voluntários, muitos deles adolescentes; - criou sistemas públicos e gratuitos de saúde e de educação. Os Estados Unidos reagiram com um bloqueio econômico, em vigor até hoje e condenado todos os anos pela Assembleia Geral da ONU, e apoiaram, em abril de 1961, a invasão da **Baía dos Porcos**, derrotada em três dias. Cuba aproximou-se da União Soviética. Em outubro de 1962, a instalação de mísseis soviéticos na ilha levou o mundo à beira de uma guerra nuclear, na chamada Crise dos Mísseis. ```verificar Qual foi a resposta dos Estados Unidos às nacionalizações em Cuba? - Reconhecer o novo governo e ampliar o comércio + Impor um bloqueio econômico e apoiar uma invasão armada - Enviar professores para a campanha de alfabetização > Releia o parágrafo sobre a Baía dos Porcos. ``` ## Che no governo e fora dele Guevara presidiu o Banco Nacional e foi ministro da Indústria. Defendia que o socialismo não era só uma mudança econômica: exigia formar um ser humano novo, movido pela solidariedade. É a ideia central de *O socialismo e o homem em Cuba* (1965). Também comandou a fortaleza de La Cabaña nos primeiros meses de 1959, quando tribunais revolucionários julgaram e condenaram ao fuzilamento integrantes da ditadura de Batista acusados de tortura e assassinato; esses julgamentos são criticados até hoje por organizações de direitos humanos. Em 1965, Che deixou os cargos para apoiar movimentos guerrilheiros em outros países: primeiro no Congo, depois na **Bolívia**. Ali, isolado, foi capturado pelo exército boliviano, que contava com assessoria da CIA, em 8 de outubro de 1967. Foi executado no dia seguinte, no povoado de La Higuera, aos 39 anos. Seus restos mortais foram localizados em 1997 e levados para Santa Clara. ## Símbolo e debate A fotografia feita por Alberto Korda em 1960 tornou o rosto de Che uma das imagens mais reproduzidas do mundo. Para muitos, ele representa a coerência entre o que se diz e o que se faz, e a solidariedade entre os povos. Seus críticos apontam os fuzilamentos de 1959 e o regime de partido único que se consolidou em Cuba. Os defensores da revolução lembram os indicadores de saúde e de educação da ilha e as décadas de bloqueio. Como sempre, vale conhecer os fatos e as fontes antes de formar opinião. --- Instituto Lúcia · CC BY-SA 4.0