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Instituto Lúcia

Contra a desinformação

Checagem de fatos

Boatos e meias-verdades que circulam por aí, conferidos com fontes públicas.

O que dizem

“O nazismo era de esquerda, porque o partido tinha 'socialista' no nome.”

Falso

O nome engana

O partido de Hitler chamava-se Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. O nome foi escolhido, no começo dos anos 1920, para disputar os operários com os partidos de esquerda, então muito fortes na Alemanha. Nome não é programa: há ditaduras que se chamam "república democrática".

O que os nazistas fizeram com a esquerda

Os historiadores que estudam o período são praticamente unânimes em classificar o nazismo como um movimento de extrema direita. Os fatos:

  • Os primeiros presos do regime foram comunistas, social-democratas e sindicalistas. O campo de concentração de Dachau foi aberto em março de 1933, semanas depois da chegada de Hitler ao poder, para receber presos políticos.
  • Em 2 de maio de 1933, os sindicatos livres foram fechados, suas sedes ocupadas e seus dirigentes presos. As greves foram proibidas.
  • O Partido Comunista e o Partido Social-Democrata foram banidos ainda em 1933.
  • Hitler chegou ao poder em aliança com partidos conservadores e com o apoio de parte dos grandes industriais e banqueiros, que viam nele uma barreira contra o comunismo.
  • A ideologia nazista tinha no centro a desigualdade entre "raças" e a ideia de que a luta entre nações, e não entre classes, move a história: o oposto do que defendem os socialistas.

Por que isso importa

A afirmação costuma ser usada para igualar os dois campos e apagar quem foram as primeiras vítimas do nazismo. Na Segunda Guerra, cerca de 27 milhões de soviéticos morreram combatendo-o. Veja a aula A União Soviética: da revolução à dissolução.

Fontes

O que dizem

“Vacinas causam autismo.”

Falso

De onde veio o boato

Em 1998, um médico britânico publicou na revista The Lancet um artigo, baseado em apenas doze crianças, que sugeria uma ligação entre a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e o autismo. Investigações posteriores mostraram que os dados haviam sido manipulados e que o autor tinha interesses financeiros não declarados. Em 2010, a revista retirou o artigo, e o autor perdeu o direito de exercer a medicina no Reino Unido.

O que os estudos mostram

Desde então, a hipótese foi testada em pesquisas com milhões de crianças, em vários países. Uma das maiores acompanhou mais de 650 mil crianças nascidas na Dinamarca entre 1999 e 2010 e comparou as vacinadas com as não vacinadas. O risco de autismo foi o mesmo nos dois grupos.

Por que o boato persiste

Os primeiros sinais do autismo costumam ser notados na mesma idade em que a criança toma várias vacinas. Uma coisa acontece perto da outra no tempo, e isso é confundido com causa. É a falácia do "depois disso, logo por causa disso", explicada na aula Argumento e falácia.

O risco real

Quando a vacinação cai, doenças que estavam controladas voltam. O Brasil recebeu em 2016 o certificado de eliminação do sarampo, perdeu-o em 2019, depois de novos surtos, e só o recuperou em 2024. O sarampo pode matar, principalmente crianças pequenas. A vacina é gratuita no SUS.

Fontes

  • Anders Hviid e outros (Annals of Internal Medicine, v. 170, n. 8). Measles, Mumps, Rubella Vaccination and Autism: A Nationwide Cohort Study (2019).
  • Editores da revista The Lancet (v. 375, n. 9713). Retraction: Ileal-lymphoid-nodular hyperplasia, non-specific colitis, and pervasive developmental disorder in children (2010).
  • Organização Mundial da Saúde. Segurança das vacinas: perguntas e respostas.