1980 e 1964 – 2022 · Vale do Javari, Amazonas, Brasil
Bruno Pereira e Dom Phillips
Bruno Pereira era indigenista, um dos maiores conhecedores dos povos isolados da Amazônia, e trabalhava com as organizações indígenas do Vale do Javari na vigilância de suas terras contra a pesca, a caça e o garimpo ilegais. Dom Phillips, jornalista britânico radicado no Brasil, escrevia um livro sobre como salvar a floresta. Os dois foram assassinados em 5 de junho de 2022, quando viajavam de barco pelo rio Itaquaí. A morte deles mostrou ao mundo o risco que corre quem defende a Amazônia.
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1971 – 2022 · Jenin, Cisjordânia, Palestina
Shireen Abu Akleh
Jornalista palestina, nascida em Jerusalém, foi durante 25 anos a voz que relatava para o mundo árabe o cotidiano da ocupação. Em 11 de maio de 2022, foi morta com um tiro na cabeça enquanto cobria uma operação do exército israelense no campo de refugiados de Jenin; usava capacete e colete com a identificação de imprensa. O escritório de direitos humanos das Nações Unidas concluiu que os disparos partiram das forças israelenses. O exército de Israel admitiu haver "alta possibilidade" de que ela tenha sido atingida por seus soldados, sem intenção.
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1973 – 2020 · Minneapolis, Estados Unidos
George Floyd
Homem negro, pai, trabalhador. Morreu em 25 de maio de 2020, em Minneapolis, depois que um policial manteve o joelho sobre seu pescoço por mais de nove minutos, enquanto ele dizia que não conseguia respirar. Sua morte levou milhões de pessoas às ruas, em dezenas de países, contra o racismo e a violência policial. O policial foi condenado por assassinato em 2021.
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1979 – 2018 · Rio de Janeiro, Brasil
Marielle Franco
Mulher negra, cria da favela da Maré, socióloga e vereadora do Rio de Janeiro. Dedicou o mandato à defesa dos direitos humanos, das mulheres, da população negra e dos moradores de favelas, e denunciou a violência policial. Foi assassinada a tiros em 14 de março de 2018, junto com o motorista Anderson Gomes. Seu nome virou semente.
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1971 – 2016 · La Esperanza, Honduras
Berta Cáceres
Liderança do povo indígena lenca e fundadora do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras. Organizou a resistência das comunidades contra a construção de uma hidrelétrica no rio Gualcarque, sagrado para os lencas, e recebeu em 2015 o Prêmio Goldman, o mais importante do mundo para defensores do meio ambiente. Foi assassinada a tiros em casa, na madrugada de 3 de março de 2016. A Justiça hondurenha condenou os executores e um ex-dirigente da empresa responsável pela obra.
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1931 – 2005 · Anapu, Pará, Brasil
Dorothy Stang
Missionária nascida nos Estados Unidos e naturalizada brasileira. Viveu décadas na Amazônia ao lado de trabalhadores rurais, defendendo a reforma agrária e a floresta contra grileiros e madeireiros. Foi assassinada a tiros em 12 de fevereiro de 2005, em uma estrada de terra em Anapu.
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1944 – 1988 · Xapuri, Acre, Brasil
Chico Mendes
Seringueiro e sindicalista. Organizou os trabalhadores da floresta para impedir, com os próprios corpos, a derrubada das árvores, e mostrou ao mundo que defender a Amazônia é defender quem vive nela. Foi assassinado na porta de casa em 22 de dezembro de 1988.
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1949 – 1987 · Uagadugu, Burkina Faso
Thomas Sankara
Capitão do exército, chegou ao poder em 1983 no Alto Volta, um dos países mais pobres do mundo, e deu a ele um novo nome: Burkina Faso, "terra dos homens íntegros". Em quatro anos, vacinou milhões de crianças, promoveu campanhas de alfabetização, plantou milhões de árvores contra o avanço do deserto, proibiu o casamento forçado e defendeu que os países africanos não pagassem a dívida herdada do colonialismo. Foi assassinado em 15 de outubro de 1987, em um golpe de Estado. Em 2022, a Justiça do país condenou os responsáveis.
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1933 – 1983 · Alagoa Grande, Paraíba, Brasil
Margarida Maria Alves
Trabalhadora rural e presidente do sindicato de sua cidade. Lutou para que os cortadores de cana tivessem carteira assinada, férias e décimo terceiro, e moveu centenas de ações contra os usineiros. Foi assassinada na porta de casa em 12 de agosto de 1983. Em sua memória, mulheres do campo realizam a Marcha das Margaridas.
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1946 – 1977 · Pretória, África do Sul
Steve Biko
Estudante de medicina e fundador do Movimento da Consciência Negra na África do Sul do apartheid. Ensinava que a libertação começa quando o oprimido deixa de se enxergar com os olhos do opressor. Proibido pelo regime de falar em público e de sair da sua cidade, foi preso em agosto de 1977 e espancado sob custódia da polícia. Morreu em 12 de setembro, aos 30 anos. Sua morte comoveu o mundo e fortaleceu a luta que derrubaria o apartheid.
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1937 – 1975 · São Paulo, Brasil
Vladimir Herzog
Jornalista, diretor de jornalismo da TV Cultura. Apresentou-se voluntariamente para depor e foi morto sob tortura nas dependências do DOI-CODI, órgão de repressão da ditadura militar, em 25 de outubro de 1975. O regime tentou fazer a morte passar por suicídio. A mentira não se sustentou, e sua morte tornou-se um marco da resistência à ditadura.
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1908 – 1973 · Santiago, Chile
Salvador Allende
Médico e político socialista, foi eleito presidente do Chile em 1970, à frente da Unidade Popular, propondo chegar ao socialismo pelo voto. Seu governo nacionalizou o cobre, aprofundou a reforma agrária e garantiu meio litro de leite por dia a cada criança. Em 11 de setembro de 1973, um golpe militar apoiado pelos Estados Unidos bombardeou o Palácio de La Moneda. Allende recusou-se a renunciar, despediu-se do povo pelo rádio e morreu no palácio. Começava uma ditadura de dezessete anos.
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1929 – 1968 · Memphis, Tennessee, Estados Unidos
Martin Luther King Jr.
Pastor batista e principal liderança do movimento pelos direitos civis da população negra nos Estados Unidos. Esteve à frente do boicote aos ônibus de Montgomery e da Marcha sobre Washington, defendeu a desobediência civil não violenta e recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1964. Nos últimos anos, uniu a luta contra o racismo à luta contra a pobreza e contra a Guerra do Vietnã. Foi assassinado em 4 de abril de 1968, em Memphis, onde apoiava uma greve de trabalhadores da limpeza urbana.
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1928 – 1967 · La Higuera, Bolívia
Ernesto Che Guevara
Médico argentino, percorreu a América Latina na juventude e viu de perto a pobreza do continente. Juntou-se aos revolucionários cubanos, foi comandante da guerrilha que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista em 1959 e ocupou cargos no novo governo. Deixou-os para apoiar movimentos de libertação no Congo e na Bolívia, onde foi capturado e executado em 9 de outubro de 1967. Tornou-se, no mundo inteiro, símbolo de solidariedade entre os povos.
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1925 – 1965 · Nova York, Estados Unidos
Malcolm X
Nascido Malcolm Little, perdeu o pai ainda criança e conheceu a prisão na juventude. Lá estudou, converteu-se ao islã e, ao sair, tornou-se a voz mais conhecida da Nação do Islã, defendendo o orgulho negro e o direito à autodefesa. Em 1964 rompeu com a organização, fez a peregrinação a Meca e passou a tratar o racismo como uma questão de direitos humanos, ligando a luta dos negros norte-americanos às lutas de libertação da África. Foi assassinado a tiros em 21 de fevereiro de 1965, quando começava um discurso em Nova York.
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1925 – 1961 · Katanga, República Democrática do Congo
Patrice Lumumba
Líder da luta pela independência do Congo contra o domínio colonial belga e primeiro chefe de governo do país, em 1960. No dia da independência, diante do rei da Bélgica, lembrou em discurso as humilhações e a violência sofridas pelo povo congolês. Poucos meses depois foi deposto, preso e entregue a seus inimigos, que o fuzilaram em 17 de janeiro de 1961, com a participação de oficiais belgas. Em 2002, o governo da Bélgica reconheceu a sua responsabilidade moral no assassinato.
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1895 – 1924 · Santo Amaro, Bahia, Brasil
Besouro Mangangá
Manoel Henrique Pereira, capoeirista do Recôncavo Baiano, viveu em um tempo em que a capoeira era crime no Brasil. Trabalhador de saveiros e de engenhos, ficou conhecido por enfrentar a polícia e os capatazes que maltratavam os trabalhadores. Os relatos sobre a sua vida misturam documentos e lenda: dizia-se que tinha o corpo fechado. Morreu em julho de 1924, na Santa Casa de Santo Amaro, depois de ser ferido a faca em uma emboscada. É lembrado nas rodas e nas cantigas como um dos maiores nomes da capoeira.
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1871 – 1919 · Berlim, Alemanha
Rosa Luxemburgo
Economista, escritora e dirigente revolucionária. Passou anos presa por se opor à Primeira Guerra Mundial e nunca deixou de defender que o socialismo só pode ser obra dos próprios trabalhadores. Foi assassinada por paramilitares em 15 de janeiro de 1919, e seu corpo, lançado em um canal de Berlim.
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c. 1655 – 1695 · Serra da Barriga, Alagoas, Brasil
Zumbi dos Palmares
Último líder do Quilombo dos Palmares, a maior comunidade de pessoas que escaparam da escravidão nas Américas, que resistiu por quase um século aos ataques dos colonizadores. Foi morto em 20 de novembro de 1695. A data é hoje o Dia da Consciência Negra no Brasil.
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data desconhecida – 1694 · Serra da Barriga, Alagoas, Brasil
Dandara dos Palmares
A tradição conta que foi guerreira do Quilombo dos Palmares e companheira de Zumbi, que se opôs ao acordo de paz com o governo colonial e morreu em 1694, quando a capital do quilombo foi destruída. Os documentos da época quase não registram as mulheres de Palmares, e sobre ela não há registros escritos. Seu nome representa hoje todas as mulheres negras que lutaram contra a escravidão e que a história oficial apagou. Desde 2019 está inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
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