Luta LGBTQIA+ · Ensino médio · aula 1 de 1 · ~4 min de leitura
A Rebelião de Stonewall
A noite de 1969 em que os frequentadores de um bar de Nova York resistiram à polícia, e o que ela mudou.
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Como era a vida antes
Nos Estados Unidos dos anos 1960, relações entre pessoas do mesmo sexo eram crime em quase todos os estados. Uma pessoa podia ser demitida, despejada ou internada à força por ser homossexual. Em Nova York, bares eram proibidos de servir bebida a "desordeiros", palavra que a fiscalização aplicava a gays e lésbicas, e a polícia prendia quem estivesse usando roupas consideradas "do sexo oposto".
Por isso, os bares que aceitavam esse público funcionavam de forma precária, muitas vezes controlados pela máfia, e as batidas policiais eram rotina: a polícia entrava, pedia documentos, humilhava e levava presos.
A noite de 28 de junho de 1969
O Stonewall Inn ficava no bairro de Greenwich Village. Era frequentado sobretudo pelos mais pobres e mais marginalizados: jovens expulsos de casa, travestis, pessoas trans, lésbicas e gays negros e latinos.
Na madrugada de 28 de junho de 1969, a polícia fez mais uma batida. Dessa vez, as pessoas não se dispersaram. Uma multidão se juntou na rua e, quando os policiais começaram a empurrar os detidos para as viaturas, reagiu: moedas, garrafas e pedras voaram, e os policiais acabaram encurralados dentro do bar. Os protestos se repetiram por várias noites.
Entre as pessoas ligadas àqueles dias e ao movimento que nasceu deles estão Marsha P. Johnson, mulher negra, e Sylvia Rivera, de origem porto-riquenha e venezuelana, que depois fundaram uma organização de apoio a jovens trans em situação de rua.
Por que Stonewall mudou tudo
Stonewall não foi o primeiro protesto. Já havia organizações discretas desde os anos 1950 e outras revoltas, como a da lanchonete Compton's, em São Francisco, em 1966. Mas Stonewall marcou uma virada de atitude: em vez de pedir tolerância, o movimento passou a afirmar com orgulho a própria existência e a exigir direitos. Nas semanas seguintes surgiram novas organizações, inspiradas também nos movimentos negro, feminista e contra a Guerra do Vietnã.
Em 28 de junho de 1970, um ano depois, milhares de pessoas marcharam em Nova York e em outras cidades. Nasciam as paradas do orgulho, hoje realizadas em todo o mundo. Em 2016, o local foi declarado monumento nacional dos Estados Unidos.
O que mudou na atitude do movimento depois de Stonewall?
E no Brasil?
Aqui o movimento se organizou no fim dos anos 1970, ainda sob a ditadura militar. Em 1978 surgiram, em São Paulo, o grupo Somos e, no Rio de Janeiro, o jornal Lampião da Esquina, que circulou até 1981. Algumas datas das décadas seguintes:
- 1990: em 17 de maio, a Organização Mundial da Saúde retira a homossexualidade da lista de doenças. A data tornou-se o Dia Internacional contra a LGBTfobia.
- 1997: primeira Parada do Orgulho de São Paulo, hoje uma das maiores do mundo.
- 2011: o Supremo Tribunal Federal reconhece a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Dois anos depois, os cartórios passam a ser obrigados a celebrar o casamento.
- 2018: o Supremo garante a pessoas trans o direito de mudar nome e gênero nos documentos sem cirurgia nem decisão judicial.
- 2019: o Supremo decide que a LGBTfobia deve ser punida como crime de racismo.
Apesar dessas conquistas, o Brasil continua entre os países em que mais pessoas trans são assassinadas, segundo os levantamentos de organizações como a Associação Nacional de Travestis e Transexuais. A luta que ganhou as ruas em 1969 não terminou.
Teste o que você aprendeu
1. Em que data começou a Rebelião de Stonewall?
2. O que era o Stonewall Inn?
3. O que aconteceu um ano depois da rebelião?
Fontes desta aula
- National Park Service (Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos). Stonewall National Monument.
- David Carter. Stonewall: The Riots That Sparked the Gay Revolution (2004).
- James N. Green. Além do carnaval: a homossexualidade masculina no Brasil do século XX (2000).