Socialismo · Ensino médio · aula 5 de 6 · ~4 min de leitura
Stalin e Trotsky: o debate sobre os rumos da revolução
Duas respostas diferentes à pergunta que dividiu o movimento comunista: o que fazer depois de tomar o poder em um país isolado?
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Dois revolucionários
Leon Trotsky (1879–1940), nascido Lev Bronstein na Ucrânia, presidiu o Soviete de Petrogrado em 1905 e em 1917, dirigiu o Comitê Militar Revolucionário que organizou a insurreição de outubro e criou e comandou o Exército Vermelho na guerra civil. Era orador e escritor brilhante.
Josef Stalin (1878–1953), nascido Iossif Djugashvili na Geórgia, era militante bolchevique desde o início do século, passou anos preso e desterrado e, em abril de 1922, tornou-se secretário-geral do partido. O cargo, de aparência administrativa, controlava as nomeações em todo o país.
Os dois faziam parte da direção quando Lenin adoeceu.
O problema: uma revolução isolada
Os bolcheviques esperavam que a revolução na Rússia fosse o primeiro passo de uma revolução europeia. Não foi: os levantes na Alemanha e na Hungria foram derrotados. Em 1924, a URSS estava sozinha, pobre, cercada de países hostis, com uma classe operária pequena e exausta. O que fazer?
As duas respostas
| Tema | Stalin e a maioria da direção | Trotsky e a Oposição de Esquerda |
|---|---|---|
| Revolução mundial | A URSS pode construir o socialismo com as próprias forças: socialismo em um só país | Sem vitórias em países mais desenvolvidos, a revolução russa degenera: revolução permanente |
| Economia | Primeiro, manter a aliança com os camponeses; a partir de 1928, industrialização acelerada e coletivização forçada | Industrialização planejada desde cedo, mas sem coletivização à força |
| Partido | Unidade e disciplina; proibição das frações | Mais debate interno; crítica ao crescimento da burocracia |
Para os partidários de Stalin, a outra linha era aventureira e colocava em risco o único Estado operário do mundo. Para os de Trotsky, a linha oficial subordinava a revolução mundial aos interesses de uma camada de funcionários.
Qual das duas posições afirmava que a revolução russa não sobreviveria como socialista sem revoluções em outros países?
O desfecho
A disputa foi decidida dentro do aparelho do partido. Trotsky foi afastado do comando do exército em 1925, expulso do partido em 1927, desterrado em 1928 e banido da URSS em 1929. Viveu na Turquia, na França, na Noruega e, por fim, no México, onde foi recebido pelos pintores Diego Rivera e Frida Kahlo. No exílio escreveu A Revolução Traída (1936) e fundou, em 1938, a Quarta Internacional.
Na URSS, os Processos de Moscou (1936–1938) condenaram à morte antigos dirigentes da revolução, acusados de conspirar com Trotsky e com potências estrangeiras. As confissões foram obtidas sob coação, e as vítimas foram reabilitadas décadas depois pelo próprio Estado soviético.
Em 20 de agosto de 1940, Trotsky foi atacado em casa por Ramón Mercader, agente da polícia secreta soviética, e morreu no dia seguinte.
Stalin dirigiu a URSS até morrer, em 1953: os anos da industrialização, do Grande Terror e da vitória sobre o nazismo, vistos na aula anterior.
Um debate que continua
Até hoje, organizações de esquerda no mundo inteiro se definem em parte por sua posição nesse debate. Algumas reivindicam o legado de Stalin, lembrando a construção da indústria e a derrota de Hitler. Outras reivindicam o de Trotsky, lembrando a sua crítica à burocracia. Outras ainda criticam os dois. Os historiadores, por sua vez, discutem o quanto o resultado dependeu das pessoas e o quanto dependeu das condições de um país atrasado e isolado.
Este instituto não toma partido nessa disputa. A recomendação é a de sempre: leia os dois, nas fontes indicadas acima, e compare com o trabalho dos historiadores.
Teste o que você aprendeu
1. O que defendia a tese do 'socialismo em um só país'?
2. O que Trotsky criticava em A Revolução Traída?
3. Como Trotsky morreu?
Fontes desta aula
- Josef Stalin. Sobre os Fundamentos do Leninismo (1924).
- Leon Trotsky. A Revolução Traída (1936).
- Moshe Lewin. O Século Soviético (2005).
- Isaac Deutscher. Trotski: o profeta armado, o profeta desarmado, o profeta banido (1954–1963).