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Instituto Lúcia

Pessoas com deficiência · Ensino fundamental · aula 1 de 1 · ~3 min de leitura

Como falar: os termos corretos

Por que se diz pessoa com deficiência, quais expressões evitar e o que elas revelam.

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As palavras contam uma história

O jeito de nomear as pessoas com deficiência mudou muitas vezes, e cada mudança mostra como a sociedade as enxergava. Já foram chamadas de "inválidas" (sem valor), "incapazes", "excepcionais", "portadoras de deficiência", "pessoas com necessidades especiais".

A expressão usada hoje é pessoa com deficiência. Ela não foi inventada por especialistas: foi escolhida pelo próprio movimento das pessoas com deficiência e adotada pela Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, de 2006. No Brasil, essa convenção tem força de norma constitucional desde 2009.

Por que essa expressão?

  • Ela põe a pessoa em primeiro lugar.
  • Não esconde a deficiência atrás de eufemismos, nem a transforma na identidade inteira de alguém.

O lema do movimento resume a ideia: "Nada sobre nós sem nós."

O que evitar

Em vez deDigaPor quê
portador de deficiênciapessoa com deficiênciadeficiência não se "porta" como um objeto
deficiente (como rótulo)pessoa com deficiênciaa pessoa não se resume a isso
pessoa especial, necessidades especiaispessoa com deficiênciasão eufemismos vagos; todo mundo tem necessidades
pessoa normal (para quem não tem deficiência)pessoa sem deficiência"normal" sugere que o outro é anormal
surdo-mudopessoa surdaa surdez não impede a fala; muitas pessoas surdas se comunicam em Libras, que é uma língua
preso a uma cadeira de rodaspessoa que usa cadeira de rodasa cadeira dá liberdade de movimento; não prende
retardado, mongol, aleijadopessoa com deficiência intelectual, pessoa com síndrome de Down, pessoa com deficiência físicasão termos ofensivos
sofre de, é vítima detema deficiência não é, por si só, sofrimento

Na dúvida, o melhor caminho é simples: pergunte à pessoa como ela prefere ser chamada.

Qual frase está de acordo com o que você leu?

Onde está a deficiência?

A Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, define a pessoa com deficiência como aquela que tem um impedimento de longo prazo (físico, mental, intelectual ou sensorial) que, em interação com uma ou mais barreiras, pode dificultar a sua participação na sociedade em igualdade de condições.

Repare na mudança: a dificuldade não está só no corpo. Ela aparece quando o corpo encontra uma barreira: a calçada sem rampa, o ônibus sem elevador, o vídeo sem legenda nem intérprete, o site que não funciona com leitor de tela, o preconceito de quem contrata. Tirando a barreira, a participação acontece.

Esse jeito de entender chama-se modelo social da deficiência, e é assunto de uma aula da trilha seguinte.

Capacitismo

Capacitismo é o preconceito contra pessoas com deficiência: tratá-las como incapazes, como dignas de pena ou como "exemplos de superação" só por viverem a própria vida. Ele aparece em atitudes como falar com o acompanhante em vez de falar com a pessoa, ajudar sem perguntar se ela quer ajuda, ou usar a deficiência como xingamento.

Quantas são

Segundo a pesquisa domiciliar do IBGE de 2022, o Brasil tinha cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência com dois anos de idade ou mais, perto de 9% da população. Não é um assunto "de minoria distante": é a vizinha, o colega de trabalho, alguém da família e, com o envelhecimento, possivelmente cada um de nós.

Teste o que você aprendeu

  1. 1. Qual é a expressão adotada pela Convenção da ONU e pela lei brasileira?

  2. 2. Por que 'portador de deficiência' deixou de ser usado?

  3. 3. Segundo a Lei Brasileira de Inclusão, o que impede a participação plena de uma pessoa com deficiência?

Fontes desta aula

Por Instituto Lúcia · Última alteração em 08/10/2026 · 1 versão guardada · Licença CC BY-SA 4.0

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