História · Ensino fundamental · aula 3 de 3 · ~3 min de leitura
A Biblioteca de Alexandria
O maior centro de conhecimento da Antiguidade, e o que seu desaparecimento ensina.
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Uma cidade nova
Em 331 a.C., Alexandre, o Grande, fundou no litoral do Egito uma cidade com seu nome: Alexandria. Depois de sua morte, o Egito ficou com o general Ptolomeu, cujos descendentes governaram por quase trezentos anos e fizeram de Alexandria um dos maiores portos e centros culturais do Mediterrâneo.
A ambição de reunir tudo
No começo do século III a.C., os primeiros Ptolomeus criaram o Museu (o "templo das Musas"), uma instituição onde estudiosos viviam e pesquisavam sustentados pelo rei. A biblioteca fazia parte dele.
O objetivo era ambicioso: reunir todos os livros do mundo conhecido. Um relato antigo conta que os navios que chegavam ao porto tinham seus rolos confiscados para cópia. A biblioteca ficava com o original, e o dono recebia a cópia.
Ninguém sabe ao certo quantos rolos de papiro ela chegou a ter. As fontes antigas falam de dezenas a centenas de milhares, e os historiadores tratam esses números com cautela.
Quem trabalhou ali
- Calímaco organizou os Pínakes, um catálogo das obras por assunto e autor, considerado um ancestral dos catálogos de biblioteca.
- Eratóstenes, que dirigiu a biblioteca, calculou a circunferência da Terra por volta de 240 a.C. Comparando o ângulo das sombras ao meio-dia em duas cidades egípcias, chegou a um resultado surpreendentemente próximo do valor real.
- Euclides, autor de Os Elementos, viveu e ensinou em Alexandria nessa mesma época.
O que realmente aconteceu com ela
A imagem mais conhecida é a de um incêndio que destrói tudo em uma noite. A história real é mais lenta e, de certo modo, mais triste.
- Em 145 a.C., o rei Ptolomeu VIII expulsou de Alexandria muitos estudiosos, e a instituição perdeu parte de seu brilho.
- Em 48 a.C., durante a guerra de Júlio César no Egito, um incêndio atingiu a cidade e destruiu parte dos livros. As fontes antigas divergem sobre o tamanho do estrago.
- Sob o domínio romano, o apoio à instituição foi diminuindo.
- Por volta de 272 d.C., o bairro onde ficava o Museu foi arrasado em uma guerra do imperador Aureliano.
- Em 391 d.C., foi destruído o Serapeu, templo que havia abrigado uma biblioteca "filha" da principal.
A versão de que a biblioteca teria sido queimada na conquista árabe, em 642 d.C., aparece apenas em relatos escritos séculos depois e é considerada lenda pela maioria dos historiadores.
Ou seja: a biblioteca não morreu de uma vez. Ela definhou por séculos de guerras, perseguições e falta de recursos.
A lição
Papiro estraga. Para um texto sobreviver, alguém precisava copiá-lo de novo a cada poucas gerações. Quando o dinheiro e o interesse acabaram, as cópias pararam, e a maior parte da literatura antiga se perdeu para sempre.
O que chegou até nós sobreviveu porque existia em muitas cópias, em muitos lugares. É essa a ideia por trás desta biblioteca: conhecimento aberto, que qualquer pessoa pode copiar, com todo o histórico guardado.
Se quiser ler um autor que trabalhou em Alexandria, Os Elementos, de Euclides, está no acervo.
Para refletir
Hoje guardamos quase tudo em formato digital. O que pode fazer um conhecimento digital se perder? E o que ajuda a preservá-lo?
Teste o que você aprendeu
1. Quem criou a Biblioteca de Alexandria?
2. Como os historiadores de hoje explicam o fim da biblioteca?
3. Qual feito é atribuído a Eratóstenes, que dirigiu a biblioteca?
Fontes desta aula
- Roger S. Bagnall (Proceedings of the American Philosophical Society, v. 146, n. 4). Alexandria: Library of Dreams (2002).
- Lionel Casson. Bibliotecas no mundo antigo (2001).