História · Ensino fundamental · aula 2 de 3 · ~3 min de leitura
Egito Antigo: a civilização do Nilo
Como um rio no meio do deserto sustentou três mil anos de história.
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Um presente do Nilo
O Egito fica em um dos lugares mais secos do planeta. O que tornou a vida possível ali foi o rio Nilo. Todo ano ele transbordava e, ao recuar, deixava nas margens uma camada de lama escura e fértil. O historiador grego Heródoto resumiu isso dizendo que o Egito era um presente do Nilo.
O rio também era a grande estrada do país: a corrente levava os barcos para o norte, e o vento, que sopra para o sul, trazia-os de volta à vela.
O faraó e a unificação
Por volta de 3100 a.C., os reinos do Alto Egito (ao sul) e do Baixo Egito (ao norte, na foz do rio) foram unidos sob um só governante. A tradição atribui a unificação a um rei chamado Narmer.
O governante do Egito, que conhecemos como faraó, era visto como um intermediário entre os deuses e os homens. Dele dependiam a ordem do país e, acreditava-se, o próprio ritmo das cheias.
As pirâmides
As pirâmides eram túmulos de faraós. As mais famosas, em Gizé, foram erguidas por volta de 2500 a.C. A maior delas, a de Quéops, tinha cerca de 146 metros de altura e foi a construção mais alta do mundo por quase quatro mil anos.
Uma ideia muito repetida é que elas foram construídas por escravos. As escavações apontam outra coisa: perto das pirâmides foi encontrada uma vila de trabalhadores, com padarias, alojamentos e túmulos. Eram operários e camponeses organizados em turmas, alimentados e sustentados pelo Estado.
Hieróglifos e papiro
Os egípcios criaram uma escrita com centenas de sinais, os hieróglifos, e um material leve para escrever: o papiro, feito com as fibras de uma planta das margens do Nilo. É da palavra "papiro" que vem "papel".
Depois que o Egito antigo desapareceu, ninguém mais sabia ler hieróglifos. A chave veio com a Pedra de Roseta, encontrada em 1799: ela traz o mesmo decreto escrito em hieróglifos, em demótico (uma escrita egípcia mais simples) e em grego. Comparando os textos, o francês Jean-François Champollion anunciou a decifração em 1822.
O fim do Egito dos faraós
Ao longo de três milênios, o Egito passou por períodos de unidade e de divisão, e foi dominado por vários povos. Em 332 a.C. foi conquistado por Alexandre, o Grande. Depois da morte dele, um de seus generais, Ptolomeu, fundou uma dinastia de origem grega que governou o país até a morte de Cleópatra VII, em 30 a.C., quando o Egito se tornou província de Roma.
Foi essa dinastia, a dos Ptolomeus, que criou a Biblioteca de Alexandria, tema da próxima aula.
Para refletir
A ideia de que escravos construíram as pirâmides é repetida há séculos, embora as evidências digam outra coisa. Como você faria para conferir uma informação histórica que "todo mundo sabe"?
Teste o que você aprendeu
1. Por que o Nilo era tão importante para o Egito?
2. O que permitiu decifrar os hieróglifos?
3. O que as evidências arqueológicas indicam sobre quem construiu as pirâmides de Gizé?
Fontes desta aula
- Ann Kordas e outros (OpenStax). World History, Volume 1: to 1500, seção 3.3, Ancient Egypt (2023).