História · Ensino médio · aula 1 de 3 · ~4 min de leitura
A Revolução Francesa
Como o povo de Paris derrubou o absolutismo, e por que as palavras esquerda e direita nasceram ali.
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A França do Antigo Regime
Em 1789, a França tinha cerca de 28 milhões de habitantes, quase todos camponeses. O rei Luís XVI governava como monarca absoluto. A sociedade era dividida em três "estados", com direitos diferentes por nascimento:
- o clero e a nobreza, que não pagavam a maior parte dos impostos e viviam de rendas e privilégios;
- o terceiro estado, todo o resto: camponeses, artesãos, trabalhadores das cidades e também a burguesia, formada por comerciantes, banqueiros e profissionais que tinham dinheiro, mas não tinham poder político.
Depois de anos de guerras caras e de colheitas ruins, o Estado estava falido e o pão, caríssimo.
1789: o ano em que tudo mudou
Para criar novos impostos, o rei convocou os Estados Gerais, assembleia que não se reunia desde 1614. Os deputados do terceiro estado recusaram-se a votar em separado e, em junho, proclamaram-se Assembleia Nacional, representante de toda a nação.
Em 14 de julho, com a notícia de que tropas se aproximavam de Paris, a população tomou a fortaleza da Bastilha. No campo, camponeses invadiram castelos e queimaram os registros das dívidas feudais. Sob essa pressão, na noite de 4 de agosto a Assembleia aboliu os privilégios feudais e, no dia 26, aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão: "Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos".
Em outubro, milhares de mulheres marcharam de Paris a Versalhes exigindo pão e trouxeram o rei para a capital.
Foi nessa Assembleia que nasceram duas palavras: sentavam-se à direita do presidente os deputados que defendiam o poder do rei; à esquerda, os que queriam limitá-lo.
Iguais, mas nem todos
A declaração tinha limites claros. O voto ficou restrito a homens com certa renda. As mulheres foram excluídas: Olympe de Gouges respondeu com a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã (1791). E a escravidão continuou nas colônias, até que a Revolução Haitiana forçou a França a aboli-la, em 1794.
Quem ficou de fora dos direitos proclamados em 1789?
República e Terror
Em 1792, com a França em guerra contra as monarquias vizinhas e o rei suspeito de traição, o povo de Paris invadiu o palácio. A monarquia foi abolida e proclamou-se a República. Luís XVI foi julgado e guilhotinado em janeiro de 1793.
O governo passou aos jacobinos, a ala mais radical, liderada por Maximilien Robespierre e apoiada pelos sans-culottes, os trabalhadores e artesãos de Paris. Eles tabelaram o preço do pão, aprovaram o voto de todos os homens, a escola pública e o fim definitivo dos direitos feudais. Para enfrentar a guerra externa e as revoltas internas, instauraram também o Terror (1793–1794): tribunais revolucionários condenaram à morte cerca de 17 mil pessoas.
Em julho de 1794 (o mês de Termidor, no calendário revolucionário), Robespierre foi derrubado e executado. A burguesia mais rica retomou o controle, e as medidas favoráveis aos pobres foram revogadas. Em 1799, o general Napoleão Bonaparte tomou o poder com um golpe.
O que ficou
- O fim do feudalismo e dos privilégios de nascimento na França.
- A ideia de que o poder vem do povo, e não de Deus ou do sangue.
- Os direitos do cidadão e a igualdade perante a lei, ainda que incompletos.
- Um modelo de revolução que inspirou o Haiti, a América Latina e os movimentos do século XIX.
Para Marx, foi o exemplo clássico de revolução burguesa: o povo fez a revolução, mas quem ficou com o poder foi a burguesia. Ainda durante a revolução, Gracchus Babeuf e a sua "Conspiração dos Iguais" (1796) já diziam que a igualdade perante a lei não bastava sem igualdade de condições. Dessa crítica nasceria, no século seguinte, o socialismo.
Teste o que você aprendeu
1. O que aconteceu em 14 de julho de 1789?
2. De onde vêm os termos 'esquerda' e 'direita' na política?
3. Quem escreveu, em 1791, a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã?
Fontes desta aula
- Eric Hobsbawm. A Era das Revoluções: 1789–1848 (1962).
- Albert Soboul. A Revolução Francesa (1965).
- Ann Kordas e outros (OpenStax). World History, Volume 2: from 1400 (2022).