História · Ensino médio · aula 3 de 3 · ~3 min de leitura
A Comuna de Paris
Os 72 dias em que os trabalhadores governaram uma das maiores cidades do mundo.
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Uma cidade cercada
Em 1870, a França entrou em guerra com a Prússia e foi derrotada rapidamente. O imperador Napoleão III caiu, e a República foi proclamada. Paris ficou cercada pelo exército prussiano durante meses, em um inverno de fome.
Quem defendeu a cidade foi a Guarda Nacional, uma milícia formada em grande parte por operários e artesãos dos bairros populares. Seus canhões haviam sido comprados com dinheiro arrecadado pelo próprio povo.
O novo governo, chefiado por Adolphe Thiers, assinou a rendição e temia mais os trabalhadores armados de Paris do que os prussianos.
18 de março de 1871
Na madrugada de 18 de março, Thiers mandou tropas retirarem os canhões da Guarda Nacional, guardados na colina de Montmartre. As mulheres do bairro deram o alarme e se colocaram entre os soldados e os canhões. Os soldados se recusaram a atirar e confraternizaram com o povo.
O governo fugiu para Versalhes. Paris estava nas mãos de seus trabalhadores. Dias depois, a cidade elegeu um conselho que tomou o nome de Comuna.
O que a Comuna fez
Em pouco mais de dois meses, e em plena guerra, a Comuna aprovou medidas que só se tornariam comuns muito tempo depois:
- Salário de operário para os governantes. Nenhum funcionário público, do mais alto ao mais baixo, poderia ganhar mais que um trabalhador qualificado.
- Mandatos revogáveis. Os eleitos podiam ser destituídos a qualquer momento por quem os elegeu.
- Separação entre Igreja e Estado e ensino público, gratuito e laico.
- Fim do trabalho noturno nas padarias.
- Oficinas abandonadas pelos patrões seriam entregues a cooperativas de trabalhadores.
- Suspensão dos aluguéis atrasados e devolução de ferramentas penhoradas.
As mulheres tiveram papel central: organizaram a defesa dos bairros, cuidaram dos feridos, criaram cooperativas e combateram nas barricadas. A professora Louise Michel tornou-se o rosto mais conhecido da Comuna.
A Semana Sangrenta
O governo de Versalhes reorganizou o exército, com soldados libertados pela Prússia para isso. Em 21 de maio, as tropas entraram em Paris.
Seguiram-se sete dias de combates, rua por rua, barricada por barricada: a Semana Sangrenta. Os prisioneiros eram fuzilados em massa. Em 28 de maio, a última barricada caiu.
O número de mortos é discutido até hoje, e as estimativas vão de cerca de dez mil a mais de vinte mil pessoas. Outras dezenas de milhares foram presas, e milhares, deportadas para colônias distantes.
O que ficou
A Comuna durou apenas 72 dias, mas mostrou pela primeira vez que os trabalhadores eram capazes de governar. Marx escreveu sobre ela ainda no calor dos acontecimentos e viu ali uma forma nova de poder político, em que os governantes são controlados diretamente pelo povo.
Várias de suas medidas, como o ensino laico e a separação entre Igreja e Estado, foram adotadas mais tarde em muitos países. Outras, como o salário de operário para os governantes, continuam sendo reivindicações.
Para refletir
A Comuna determinou que quem governa deve ganhar o mesmo que um trabalhador e pode ser destituído a qualquer momento. Como seria a política da sua cidade com essas duas regras?
Para ler
A Guerra Civil em França, de Marx, foi escrita em 1871, logo após a derrota da Comuna.
Teste o que você aprendeu
1. Quanto tempo durou a Comuna de Paris?
2. Qual destas foi uma medida da Comuna?
3. Como a Comuna terminou?
Fontes desta aula
- Karl Marx. A Guerra Civil em França (1871).
- Prosper-Olivier Lissagaray. História da Comuna de 1871 (1876).